03 maio 2007

Dançar com o fumo



Em sintonia com a nova legislação anti-tabagista que se anuncia, o João Dalion enviou-nos este excelente texto.

Dançar com o fumo

Até hoje nenhuma discoteca teve a coragem de reservar mensalmente uma noite de Sábado apenas para não-fumadores.

É absurdo mas (ainda) é a realidade: o acto de dançar em público é indissociável do de inalar ar conspurcado com milhares (!) de substâncias cancerígenas, tóxicas e irritantes. Dançar com o fumo é brincar com o fogo. No entanto a nova proposta da Lei Anti-Tabaco, apesar de ter gerações de atraso, atende ainda a interesses comerciais que comprometem a Saúde Pública e permitirá o vício de fumar em estabelecimentos com mais de 100m2 o que propicia o incumprimento da lei numa pista-de-dança que todos partilham e onde, em muitos casos, a ventilação é anedótica ou inexistente!

As discotecas e os bares que tanta contrariedade oferecem à nova lei ainda não se aperceberam da quantidade de potenciais clientes que até hoje preferiram permanecer nas suas "tocas" em prol de preservarem a limpeza das suas vias respiratórias e o estado inodoro das suas roupas. Estes estabelecimentos também ainda não vislumbraram um determinado terreno potencial, tão importante como a decoração, o som ou a iluminação, e que até agora permaneceu completamente encoberto pelo fumo: as possibilidades aromáticas que a ausência de cigarros propicia.

Até agora a festa foi dos viciados, ingenuamente iludidos de que celebram juventude. Mas dançar é algo salutar e natural que em nada se deveria conjugar com o acto destrutivo de fumar.
A adopção de comportamentos e estilos de vida saudáveis é uma sinfonia Europeia que até agora tem sido interrompida por tosse casmurra!
João Dalion - daliondolka@clix.pt

1 comentário:

pm disse...

Sou fumador e fui gestor de uma discoteca durante três anos, pelo que conheço bem o ambiente.

Concordo perfeitamente que se alterem atitudes e hábitos.
O fumo é uma anedota sem piada. Estraga a saúde, os ambientes e a carteira.