
Nota-se no clima, cheira-se, respira-se… Em Minde existe um certo divisionismo de opinião.
Organizam-se referendos, elaboram-se comunicados, discute-se “entre dentes” e o assunto promete fazer correr muita tinta.
Existem os que apoiam o CAORG no projecto de construção da sua sede (e da SMM) no Largo das Eiras, e os que são contra a sua construção naquele local.
Parece que uns são amigos e outros são inimigos.
Mas a questão pode ser posta assim? Eu acho que não.
Nem os amigos são só aqueles que apoiam o CAORG nesta cruzada, nem os inimigos são todos os que se opõem à construção da sede no local supra citado.
Existe aqui um claro deturpar da questão em causa, sendo incorrectas todas as interpretações que vêm a questão por este prisma.
A verdade é que o CAORG tem o direito de se candidatar à ocupação daquele local (o que ainda não o fez publicamente), mas também é verdade que qualquer cidadão pode opinar de modo diferente. Para mim trata-se de uma questão puramente urbanística, e pelo facto de me opor à ocupação daquele espaço por qualquer tipo de construção, nada me faz incluir na “lista dos inimigos” daquela e de outra colectividade. Apenas tenho uma opinião diferente.
Porquê tanta animosidade em redor deste assunto ?
Façamos o seguinte exercício :
Imaginemos que no mesmo local o VFCM queria construir a sua sede, ou que os BVM queriam construir um novo quartel, ou que a CF da Igreja queria construir um centro de acolhimento, ou que a CMA queria construir um pavilhão, ou os escuteiros queriam construir … etc. etc.
Será que grande parte dos que estão contra ou a favor mantinham inalterável o seu principio de voto? Penso que não.
Provavelmente muitos dos que agora se manifestam a favor da construção mudavam o seu voto, e outros que agora estão contra, se estivessem ligados a qualquer projecto, ir-se-iam manifestar a favor. Chama-se a isto um conflito de interesses.
Minde tem alguma coisa a ganhar com este tipo de quezílias internas? Não.
E porquê que elas existem? Porque as entidades envolvidas (CAORG, SMM, CMA) têm embrulhado este assunto num secretismo absurdo, e pensam que tudo pode ser resolvido entre eles e à revelia da população.
Engano absoluto. Trata-se de uma questão estrutural da Vila de Minde e ninguém gosta de se sentir excluído. Quanto maior o silêncio e secretismo, maior animosidade provoca.
Soluções do tipo “toma lá e cala-te” que o assunto já está consumado não se enquadram nos nossos dias.
Quem se deve estar a rir com tudo isto são os “chefões” de Alcanena.
Encontram aqui o pretexto ideal para deixar arrastar o assunto e não resolver nada. Vão-se refugiar no conflito de opiniões, os anos vão passando, gasta-se tempo e dinheiro em projectos e burocracias e, aposto que não vão “mexer uma palha”.
Talvez lá para o fim do mandato dêem um lamiré do que vão fazer, e mesmo isso será de acordo com as correntes dos votos.
Mas o mais grave é que vão aproveitar-se desta “jogada” para manter inalterável a recuperação dos jardins e da Casa Açores.
Ou eu muito me engano, ou daqui a três anos está tudo na mesma. A ver vamos…
Vejamos o exemplo do Pavilhão Gimnodesportivo.
Está lá, é verdade! Mas demorou quase vinte anos a ser construído (e não havia oposição da população). É isto que desejam para a construção das sedes do CAORG e da Banda?
As colectividades não podem viver isoladas da população e só uma solução consensual poderá fazer evoluir este processo. É visível que grande parte dos cidadãos de Minde preferem que o Largo das Eiras seja convertido num espaço amplo e público, pelo que considero absurdo e um erro crasso continuar a insistir numa “teimosia” que não levará a lugar nenhum. Não sou dono da verdade, mas esta é a minha opinião.
Se queremos realizar obra, há que ser transparentes, dialogar, convergir interesses em busca de soluções consensuais, e só assim estamos prontos para pressionar a CMA e, em conjunto, procurar alternativas económicas viáveis. É uma ilusão pensarmos de outro modo. Sempre foi assim que as grandes obras se fizeram e irá continuar a ser.
De “costas voltadas” nada se resolve !