14 março 2007

Os Moinhos do Futuro

O presidente da República visitou, esta semana, o Parque Eólico de S. Paio, em Vila Nova de Cerveira, um investimento de 12,2 milhões de euros que produz 24,4 gigawatts por ano.
A deslocação de Cavaco Silva àquele parque, o maior investimento privado de sempre no concelho de Cerveira, inicia as II Jornadas do Roteiro para a Ciência, dedicadas às tecnologias limpas.
O Presidente sublinhou que “está a nascer em Portugal um sector industrial ligado à energia eólica que pode ter grande importância” na geração de riqueza e pediu mais investimento às empresas portuguesas, envolvência das universidades e empenho político nas energias limpas.

Constituído por cinco aerogeradores, o Parque Eólico de S. Paio funciona desde Fevereiro de 2006 e é um dos 10 que até finais de 2008 vão ser construídos nos seis concelhos do Vale do Minho.
Trata-se de um investimento global de 370 milhões de euros que vai resultar na obtenção de uma potência total de 300 megawatts.
«É o maior projecto eólico de toda a Europa», salientou Carlos Pimenta, um dos responsáveis do consórcio Empreendimentos Eólicos do Vale do Minho.
Carlos Pimenta sustentou que, quando o empreendimento estiver concluído, o Vale do Minho assumir- se-á como exportador de electricidade, uma vez que a que ali vai ser produzida «excederá largamente» as necessidades de consumo da região.

Além do parque eólico de S. Paio, já estão em funcionamento mais dois, ambos em Caminha, o maior na Serra d`Arga, orçado em 40 milhões de euros e que vai produzir 71,7 gigawatts (GW) por ano, o equivalente ao consumo de electricidade naquele concelho durante 18 meses. O outro é o parque da Espiga, formado por três aerogeradores, com uma potência unitária de 2 megawatts.



Os maiores parques vão nascer nos concelhos de Melgaço, Monção, Valença e Paredes de Coura, onde serão investidos 300 milhões de euros para instalar uma capacidade de 240 megawatts.
A esmagadora maioria dos parques eólicos do Vale do Minho vai debitar a sua energia na Rede Eléctrica Nacional através da subestação de Pedralva, em Braga.
Para o efeito, será construída uma linha de alta tensão, com cerca de 50 quilómetros, uma espécie de «auto-estrada da energia», a partir de Melgaço até àquela subestação.

Em relação ao cluster eólico que se perspectiva, o investimento a realizar entre 2006 e 2011 ronda os 1750 milhões de euros e prevê a criação de 1800 postos de trabalho directos. Em unidades fabris e serviços associados prevê-se um investimento global de 161 milhões de euros, dos quais cerca de 100 milhões provêm directamente do estrangeiro.

Na instalação de parques eólicos, 48 no total e uma potência de 1200 MW, espalhados sobretudo pelas regiões Norte e Centro, o investimento ascende a mais 1470 milhões de euros. Do pacote de investimentos fazem ainda parte 35 milhões de euros destinados ao financiamento de um sistema científico e oito milhões para a criação de centros de despacho para a gestão da produção eólica.

In Público, Lusa, Portugal Diário



Quando vemos no horizonte estas ventoinhas gigantes, nem sequer imaginamos que cada prumo daqueles custa dois, três, e até mais, milhões de euros. Se os começarmos a contar, aí deixamos de fazer contas. Muitos milhões !!!
Esse é o maior obstáculo. Mas não assusta os muitos candidatos a investir. É um negócio seguro, ecoológico, rentável, cujo capital investido se amortiza num curto prazo de 7 anos. A partir daí são lucros galopantes. Não é mau !!!

Não concordo com uma distribuição desordenada e á tôa destes parques de aerogeradores, mas esta é a solução energética do futuro, e apesar dos paisagistas mais puritanos condenarem alguma desorganização territorial já implantada, eu entendo que em muitos casos estas torres até se integram bem no ambiente e, por vezes até o valorizam. Uma implantação cuidada pode ter um impacto estéctico bastante agradável e contemplativo.

No Vale Alto ficava bem um parque destes. Fácilmente integrável até podia ser uma mais valia com valor estéctico acrescentado. Seria uma hipótese muito sustentável.

São os Moinhos do Futuro !!!

6 comentários:

gAz disse...

Caro PM,

Penso que como tudo, existem coisas boas e coisas más e o dinheiro investido proporcionará sempre bons lucros às empresas, no entanto e em relação ao Vale Alto penso que existiram até bem perto de nós algumas zonas onde o vento terá a mesma intensidade que no Vale Alto, sem que tenha que se violentar uma das zonas mais puras da nossa região, que apesar das antenas de rádio presentes, tens acessos deficientes e já todos sabemos os bons acessos apesar de facilitarem as deslocações, são também um meio para a degradação das zonas verdes em Portugal, principalmente devido à falta de civismo das pessoas que têm por hábito deixar o lixo por onde passam.
Depois e para os menos conhecedores é deitar fora um grande investimento feito na plantação de milhares de azinheiras (árvore autóctone da nossa região).
Assim penso que seria bom tentar localizações alternativas, como os moinhos do covão, a zona da pedreira do cabeço morto (que até se poderia reabilitar para fazer algo útil).
Bem sei que existiram contras, nomeadamente os interesses instalados, mas volto a chamar a atenção de que não devemos hipotecar todas as zonas verdes deste país, pois é das coisas mais bonitas que podemos deixar aos nossos descendentes.

Um abraço a todos

pm disse...

Oi, gAz !
Quando me refiro ao Vale Alto, não esoecifico a localização exacta, pois desconheço qualquer projecto, e muito menos em locais da recente florestação, pois, até por quest-oes de segurança, estes parques só costumam ser implantados em locais desflorestados.
Como defendo no texto, tudo depende do local e da sua integração ambiental.
Sobre as questões do lixo, isso é outro problema pouco a ver com isto, mas sim com educação.
Um Abraço,
PM

Anónimo disse...

GaZ,

Penso que estes moinhos de vento, que têm uma altura considerável, podem ser colocados em locais onde existam plantações.

No caso da antenas não sei se foram lá plantadas azinheiras, porque ha muitos muitos anos que não vou lá. Mas penso que não seriam incompatíveis as duas coisas.

O que é certo é que aquele cabeço, aquela serra já tantas vezes ardida, não tem lá nada em cima. Um investimento destes, bem feito, preservando ao máximo as árvores e a natureza, poderia ser feito ali.

ps: atenção que não sei se aquele local em termos de intensidade de vento é bom ou não...

chance man

Anónimo disse...

conversass da treta como é usual nestes comentarios de anonimos incultos

pm disse...

Obrigado pelo seu contributo e pelo seu banho de cultura!

Rosa dos Ventos disse...

Tudo o que represente uma mais valia para a nossa região é sempre de incentivar e de facilitar a sua implementação.