13 julho 2006

O Professor

Igual a tantos outros, de calções e bata branca, num dia 7 de Outubro fui pela primeira vez à escola. Confesso que não morri de amores naquele dia. Tive a nítida sensação de que tinha arranjado mais um inimigo público .
O professor iria ser mais um “polícia” a controlar as minhas traquinices, e juntamente com o sisudo do meu pai e a chata da minha mãe, passavam a ser três as autoridades máximas. Era o que eu menos desejava na altura.
À mistura com umas reguadas, aprendi o ABC e a tabuada. Fui fazer exame da 4ª classe a Alcanena (outros tempos) e passei com distinção.
Muitos outros professores vim a conhecer e… nunca me despertaram paixões. Fui um aluno regular, sem incidentes, mas o espírito anti-professor esteve sempre presente. Se pudesse... tramava-os.
Começamos a usar “calças” e só então surge o entendimenro e a importância daqueles que nos ensinaram e prepararam para a vida. E há professores que nunca esquecemos, principalmente quem nos ensinou as primeiras letras.

O meu professor primário ensinou-me a ler, a compreender , a raciocinar e a dar opinião.
O meu professor é daqueles cujas aulas se estendem por uma vida inteira.
A sua clarividência nas análises do quotidiano da nossa terra, em tom cordial, mas isento, e sem receio de ultrapassar o risco do politicamente correcto, reflectem bem porque é que este Homem é Professor para toda uma vida.
Estou a falar do Prof. Abílio Madeira Martins.



Aproveitando um “tema quente”, ilustro esta introdução com um texto do "meu professor", publicado em Maio de 2006 no Jornal de Minde.

As Eiras
«Quem visitar as cidades e vilas do país com olhos de ver terá com certeza de concluir que muitos dos seus melhores espaços urbanos se devem ao desaparecimento de arruinados quarteirões ou edifícios de pouco ou nenhum valor arquitectónico.
Foi o que aconteceu aqui perto, em Torres Novas com o largo em frente do antigo Banco Ultramarino e em Alcanena com o espaço em frente da Câmara, este no lugar dum demolido quarteirão de que ainda guardo memória.

E mesmo em Minde, se há alguns espaços que hoje podemos usufruir com agrado é porque foram eliminados os prédios que anteriormente os ocupavam: - São eles o chamado Largo do Coreto, conseguido à custa das casas que se podem ver num dos nossos postais mais antigos; a Praça Alberto Guedes, construída no lugar antigamente ocupado pelas casas do Marrão; o Largo da Igreja no lugar do degradado quarteirão de que as pessoas de mais idade muito bem se lembram e o Jardim do Outeiro que tomou o lugar dum velho e arruinado casario.
Para acanhamento já bastaram as ruas e vielas de antigamente.

Hoje as perspectivas são outras como outros são também os estilos de vida. Temos que admitir que actualmente seria muito difícil viver com os constrangimentos urbanos de há sessenta ou setenta anos atrás.
A tendência do nosso tempo é para desafogar e não para comprimir. Viu-se isso na zona de Belém, na antiga Mouraria e no Parque das Nações, em Lisboa. Vê-se isso por toda a parte onde tal for possível e urbanisticamente justificável.

Porque há-de Minde proceder em sentido inverso, agora que se lhe depara a oportunidade de ser dotada dum excelente espaço aberto, à margem do apertado tecido urbano do seu núcleo mais antigo?
O Largo das Eiras já foi em tempos um vasto espaço público, como refere um velho documento, que foi perdendo amplitude em virtude de várias tomadias, recuperadas em parte nos últimos tempos com alguns recuos. Não vamos agora anular o efeito destas últimas cedências ocupando com betão o lugar que tudo aponta para que seja de benefício público, importando para isso dotá-lo com elementos estéticos que criem nele um atractivo ambiente natural propiciador do bem-estar da população. »

Abílio Madeira Martins


Perspectiva em 1919 do sítio onde actualmente se encontra o Coreto

7 comentários:

vmcs disse...

Olá, bom dia Pedro

Gostei de te ler, mas eu sou suspeito! Como sabes eu "estou contra" o CAORG e a S.M.M.!!! Qual sedes qual carapuça! Eles que ensaiem na rua!!! Nós 2 até pugnamos sempre contra os interesses de Minde, não é?

Enfim, Pedro ... qualquer dia recebes uma cartinha dos Homens da Direcção do CAORG a chamarem-te anti-Minderico ou qualquer coisa no género!!!

Tu, o Sr. Prof. Abílio, o Sr. Rogério Venâncio, o Sr. Moisés Morgado, O Sr. Agostinho Nogueira, O Dr. João Alberto Coelho, O Dr. Tó Zé Branco e tantos outros que até já assinaram a petição para os 2 referendos!!!

Somos todos uma cambada de malandros que estamos contra as sedes do CAORG e da BANDA.

Pois se nós até nem propomos alternativas!!!

Os Homens da Direcção do CAORG deviam expulsar-nos de Minde!!!

Destruir o Largo das Eiras é que é bom ... Ah gandas homens do CAORG!!!

Um abraço

Vítor Manuel Coelho da Silva

Anónimo disse...

Convocada uma reunião de emergência ( SECRETA ) entre a Camara, o Caorg e a Banda para esta semana.


ALERTA MINDRICOS!!!!!!

Anónimo disse...

É hoje, e à noite

leonilde.madeira disse...

Quando se é professor é-se para o resto da vida.
Não experimentei os sentimentos do P.M. na entrada da escola mas que tinha muito respeitinho pela professora, tinha...
Gostei do 1º texto, o 2º já o conhecia.
Concordo com o Prof. Abílio, com o P.M. e todos os que defendem um Largo das Eiras transformado num espaço aberto, ajardinado e vivenciado por todos.
Em todo o caso, como não conheço os meandros das polémicas, não emito juízos de valor sobre qualquer elemento ou instituição que queira outra coisa para as Eiras.
Mas também acho que nada poderá ser feito ao arrepio de um povo se ele se manifestar maioritariamente contra isso.
Aproveito para publicitar a minha próxima crónica no nosso jornal. Também ela gira à volta das primeiras aprendizagens que nos marcam para sempre!
Parabéns P.M. pela sua, em relação ao seu professor.

Anónimo disse...

Mas já houve alguém, para além do Dr. Vítor Miguel Coelho da Silva, que assumiu em público o seu apoio à construção das sedes nas Eiras, nas antigas escolas?

E mesmo o Dr. Vítor (presidente da AG do Caorg...), desceu 4 ou 5 vezes a avenida antes de o dizer, com o argumento que a direcção do CAORG é honrada, logo, não pode deixar de apoiar isto!

Nem uma linha no Jornal de Minde, no minderico.com, no xarales, no tou ca neura, no mirante, em comunicado ou carta aberta à população. Nada. Zero.

Mas não haverá niguém que assuma a opção e justifique essa opção?!

Anónimo disse...

Mais uma prova da arrogancia destes directores sejam eles homens ou mulheres do Caorg. Mas toda a gente já entendeu a golpada.

Acabar com o ensino gratuito da musica pela SMM é um dos obejctivos.

Jaime Chavinha quantas voltas não terá já dado no seu tumulo!!!!!!!!!

Anónimo disse...

LARGO DAS EIRAS

Desconhecia a existência de um comunicado assinado pelos “Homens do CAORG”!
É um comunicado cheio de significado!
De facto, este tema do “género”, está na ordem do dia o que vem provar, à “ saciedade” a justeza do projecto de lei apresentado pelo PS.
O CAORG sempre foi identificado pelas suas “Mulheres”, desde a fundação; os homens sempre vieram em segundo plano. Estamos perante uma instituição de índole, marcadamente, matriarcal. Ainda hoje, quando o nome CAORG vem à baila, a primeira figura que vem à nossa memória é a da Drª. Maria Alzira (com alguma justiça, diga-se).
Verifica-se, portanto, que os “Homens do CAORG” sempre foram uma espécie de excrecência no seio da colectividade; eram “uma coisa menor” que para manter uma certa diversidade, convinha ter.
Pois é, isto atura-se muito tempo, mas não se atura o tempo todo!
Que diabo, somos ribatejanos, homens de barba rija, machões e não damos uma para a caixa, terão pensado os ditos cujos.
Vai daí, afastaram todos os complexos, despiram os calções, deixaram crescer a barba, sacaram de todas as hormonas disponíveis, gritaram “aqui d’el rei e resolveram parir um comunicado vincando as suas posições e marcando o seu território (?).
Foi um grito lancinante de quem sabe que não conta nada, não risca nada!
Foi um estertor patético dos meninos de calções a quererem dizer que já usam calças!
Foi um grito de Ipiranga patético!
Mas, “meninos feitos homens”, não tenham ilusões!
As matriarcas vão continuar a mandar e voc~es vão continuar a ser os meros executores, os paus para toda a obra, os necessários “porque sim”, mas nunca deixarão de ser os descartáveis que, amanhã, serão substituídos por outros descartáveis.
Vocês são uma espécie de supra numerários ; estão ali porque estão!
Por isso deixem-se estar quietinhos no vosso canto, pelo menos enquanto, na Assembleia da República, não for aprovada a igualdade, ou paridade, de género!
Então sim! Organizem-se em lobi, manifestem-se, venham para a rua reclamar contra a prepotência das “Senhoras”, chamem a Intersindical, entrem em greve de fome, enfim, assumam-se em toda a plenitude do “macho latino”!
Até lá, limitem-se a executar os trabalhos menores, o que não conta, o trabalho braçal e deixem as “Matriarcas” pensar, planear o futuro e decidir o que é importante!
Perante este grito de alma, que foi o vosso comunicado, só vos posso manifestar a minha solidariedade de macho.