05 setembro 2006

Angola - um país de contrastes !

Estou de volta !
Ao contrário do que muitos imaginaram, não fui caçar leões, não me alistei em organizações missionárias, nem tão pouco vi um elefante. Apenas visitei o Sul de Angola.
Obrigado por todos os comentários e mensagens de apoio.
Visitei as províncias do Namibe e Huila até ao Cunene e dei uma vista de olhos por Luanda.
A cidade do Lubango foi o nosso destino e quartel general durante a maior parte dos dias. Pela região demos umas voltas.
Ao falarmos de Angola devemos equacionar "duas angolas": Luanda e o Resto do País.
Luanda é uma metrópole com quase 5 milhões de habitantes cuja riqueza do país está a permitir uma acelerada reconstrução e edificação.
Nas restantes zonas do país começa-se a deitar mão à obra, mas a destruição de 30 anos de guerra e imobilismo é evidente e o país precisa de muitas obras de infraestruturas. Em 30 anos não se aplicou um vidro, não se gastou uma lata de tinta ou saca de cimento, nem se colocou um tijolo. Não existem estradas, a electricidade e a àgua são escassos e bens preciosos. A rede de transportes é péssima e as telecomunicações defecitárias. Os serviços públicos necessitam de profissionalização e modernização e a Saúde e Educação são precárias. Existem cidades parcialmente destruídas, como os casos de Huambo e Kuito no Bié. As restantes cresceram desmesuradamente através da fuga dos índígenas do mato para as cidades. Com as estradas completamente destruídas pelos tanques e falta de manutenção, os abastecimentos ao interior tornaram-se quase impossíveis.
O lixo e as carcaças de viaturas, tanques e aviões são visíveis por quase todo o território.
Também muita da vegetação não escapou à dizimação, o gado foi consumido, e até muitas das espécies selvagens desaparecerem.


Por enquanto, deixo-vos com algumas fotos de Lubango (na coluna lateral), actualmente a 2ª maior cidade de Angola com quase 1 milhão de habitantes (foto) e anteriormente designada por Sá da Bandeira. É a capital da Província de Huíla e situa-se num planalto a 1800 metros de altitute. Nota-se que foi uma cidade bonita e com excelentes equipamentos urbanos. Antes da guerra tinha somente 50 mil habitantes. As mesmas infraestruturas (muito destruídas e sem manutenção) servem hoje um milhão.







Angola : Crescer Bué!!!
Viajar pelo interior de Angola, ainda só é possível graças ao apoio dos residentes luso-angolanos. Não existem vias de comunicação, alojamentos e alugar viaturas é caríssimo. Aliás, tudo é caro, excepto o preço da gasolina.
Sem o inestimável apoio da vasta comunidade portuguesa esta viagem teria sido quase impossível.
Mas, pelo que vimos, em três anos de paz já se fez muito e Angola está no caminho certo.
É um país de enormes recursos, muita riqueza mal distribuída e com grandes assimetrias, com muita juventude (6 jovens por cada adulto) e que está a desenvolver grandes esforços para reconstruir estradas e recuperar as infra-estruturas de um país com um território 14,5 vezes maior que Portugal. São milhões de chineses que se estão a ocupar dessas tarefas.
Em Angola há falta de tudo, mas não vi uma criança desnutrida ou a chorar.
A Paz em Angola já é uma realidade, e ninguém quer tornar a ouvir falar em guerra.
Angola é esperança, e irá crescer bué.
Dentro de uma década ou duas irá impor-se como uma grande nação africana.

3 comentários:

Anónimo disse...

Concordo contigo. Agola é um País com imenso futuro se os seus dirigentes tiverem a capacidade de colocar as suas imensas riquezas ao serviço do desenvolvimento em todas as suas vertentes.
Queria deixar-te um reparo: Indigenas é um termo da era colonial; deverias dizer "os habitantes do interior".
Como é evidente não chamas indigenas aos habitantes de Trás- os-Montes que se deslocam para o litoral.
Um abraço

gAz disse...

Bem vindo de volta
Um abraço

pm disse...

Caro Anónimo,
Agradeço o reparo e até reconheço um certo humor na questão.
Mas o termo indígena já existia antes da era colonial.
Significa "natural do país ou local em habita" ou "aborígena".
Deste modo, todos aqueles que nascemos e fomos criados no mesmo local, somos indígenas.
Com cumprimentos,
PM